INTRODUÇÃO

Doença infecciosa febril aguda, causada por um arbovírus da família Flaviviridae. A transmissão se dá pela picada de mosquitos infectados, em dois ciclos epidemiológicos descritos:

  • Silvestre: no Brasil, participam deste ciclo os vetores dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Os macacos (primatas não-humanos) são os principais reservatórios do vírus, e o homem é considerado hospedeiro acidental neste ciclo.
  • Urbano: os principais vetores são do gênero Aedes; único hospedeiro é o homem, mas não se registram casos de febre amarela transmitida em ciclo urbano desde o ano de 1942.

O período máximo de incubação descrito é de 15 dias, mas em geral de 3 a 6 dias. Seis dias, inclusive, é o período de quarentena que indivíduos não vacinados devem permanecer quando viajam para países onde a vacina é exigida, segundo o Regulamento Sanitário Internacional.

A suscetibilidade à doença é universal e a infecção natural promove resposta imune duradoura, provavelmente até o fim da vida.

Clinicamente a doença é dividida em duas fases:

  • A primeira, também chamada de “período de infecção” se manifesta com sintomas inespecíficos, mas em geral mais leves: febre, calafrios, dores pelo corpo, prostração, náuseas e vômitos. Cerca de 90% dos pacientes tem melhora progressiva, mas os restantes 10%, após curto período de alívio dos referidos sintomas (que dura algumas horas até 2 dias), evoluem para a segunda fase descrita a seguir;

  • “Período toxêmico”: pode haver reaparecimento da febre, mas o que mais marca esta fase são os sintomas decorrentes de insuficiência hepática (icterícia, aumento transaminases podendo atingir níveis de dezenas de milhares, alterações do coagulograma, com sangramentos em quaisquer sítios, plaquetopenia e hipoglicemia); e de insuficiência renal (oligoanúria, proteinúria, uremia – que piora ainda prognóstico em pacientes com sangramentos ativos). Esta fase é marcada por letalidade variável, no Brasil, em média cerca de 50%, segundo dados do Ministério da Saúde de 1980 a 2016.

Para fins de diagnóstico, existem disponíveis exame de PCR (Reação em Cadeia de Polimerase), que deve ser realizado em amostras coletadas do 1º ao 5º dia de sintomas, ou exame de sorologia por Mac ELISA, em amostras a partir do 6º dia do início de sintomas.

Não existe tratamento específico para a febre amarela, devendo este ser baseado em suporte avançado de vida: o paciente grave demanda atenção com altos níveis de complexidade: por vezes internação em leito de terapia intensiva com monitorização invasiva, rotina laboratorial frequente, hidratação venosa vigorosa, transfusões de hemoderivados diversos e hemodiálise precoce.

 

EPIDEMIOLOGIA

A maior parte do território do país é considerada região endêmica ou área de transição para febre amarela. Excetuam-se as regiões contidas na grande faixa litorânea desde o Piauí até o Rio Grande do Sul (com extensão variável em direção ao continente, em alguns estados). Com a ocorrência de casos em MG e ES, foi definida uma nova área de vacinação chamada de área de recomendação temporária. Portanto, existem áreas com recomendação da vacina, recomendação temporária e sem recomendação, conforme mapa:
Mapa Febre Amarela

A ocorrência de epizootias em macacos pode ser sinal de circulação viral, e sentinela para ocorrência de casos em humanos, particularmente em bolsões de indivíduos não vacinados ou que receberam apenas 1 dose da vacina (esquema incompleto, considerando as recomendações do MS).

Epizootias têm acontecido em vários estados do Brasil nas últimas semanas e meses, com destaque para osestado de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Nestas mesmas regiões, principalmente em MG, foram notificados muitos casos suspeitos de febre amarela silvestre em humanos. Vários foram confirmados, outros estão em investigação e outros descartados.

Como são informações dinâmicas, o MS emite informes epidemiológicosdiários, que podem ser acessados no link: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/619-secretaria-svs/l1-svs/27300-febre-amarela-informacao-e-orientacao

Não há, até o momento, evidências de reurbanização da doença no Brasil.

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