A introdução de alimentação complementar para as crianças é um assunto muito importante mas que nem sempre recebe a devida atenção. Para esclarecer algumas dúvidas, aqui vai um guia básico fornecido pela Pediatra Dra. Adriana Ferreira Silva – Crescer Consultórios.

Os alimentos devem ser introduzidos de forma gradual. Cada alimento novo deve ser oferecido separadamente. A consistência também deve ser assim modificada, com o oferecimento de alimentos inicialmente na forma pastosa, até pedaços sólidos.

Um aspecto pouco explorado, mas tão importante quanto os conhecimentos técnicos dos nutrientes é como preparar e dar as refeições à criança que ainda não experimentou deglutir sem sugar.

Um alimento de cada vez, um prato bonito quando houver misturas (individualizando os alimentos), consistência de papa, uma colher sem exposição de metal, pois ele pode dar choques na língua,  muito boa vontade e paciência são fundamentais para garantir o sucesso do processo.

A repetição de treze a vinte vezes (em momentos diferentes) é necessária para se saber se um bebê não aceita determinado sabor. A não adição de sal também é muito importante, em seu lugar devemos utilizar temperinhos com alho, cebola, “verdinhos”, azeite e muito carinho!

Algumas dicas importantes:

  • Durante as refeições a criança deve estar sentada em uma cadeira de alimentação, para que se habitue. A hora da refeição deve ser um momento calmo e agradável, sendo conveniente cativar o interesse pela refeição, evitando distrações com brinquedos, televisão, DVD, rádio, pessoas conversando…

  • O alimento deve ser introduzido no meio da boca e não raspado na gengiva superior, pois devido ao movimento de extrusão da língua da criança caso o alimento seja deixado na parte anterior da boca ele será empurrado para fora pela língua.

  • O reflexo de extrusão desaparece por volta do sexto mês de vida e a habilidade para engolir alimentos não líquidos estabelece-se. Neste período, o bebê já controla os músculos da boca e língua.

  • Não se assuste se a criança engasgar um pouco nas primeiras vezes que comer o alimento com consistência pastosa. Ela irá empurrar a fruta contra o céu da boca e o alimento irá escorregar para trás, portanto ela poderá tossir um pouco. Continue alimentando para que ela possa aprender os novos movimentos de língua e iniciar a mastigação. Mesmo sem dente!!!

As frutas devem ser introduzidas no sexto mês de vida, no horário de 09 horas. Inicialmente devemos evitar morango e abacaxi. Uma parte da fruta deve ser amassada com um garfo, ou raspada com uma colher, e oferecida de colher à criança e a outra parte da fruta deve ser dada na mão da criança para que ela mesmo leve à boca. A ideia é que nesta fase a fruta substitua uma mamada.

As frutas devem ser preparadas pouco antes do consumo e não deve ser acrescentado açúcar, já que a fruta o apresenta em quantidade suficiente. Sempre introduzir uma fruta de cada vez. Iniciar com metade das frutas e aumentar gradativamente. Iniciar com uma fruta laxante (“soltam o intestino”) e permanecer com a mesma fruta por dois a  três dias, para que a criança se acostume com o sabor. Depois ofereça uma fruta obstipante (“prendem o intestino”) e também permaneça por dois a três dias. Depois de uma semana com as frutas no horário da manhã, passe a oferecer as frutas já conhecidas à tarde e inicie novas frutas pela manhã.

Lembre-se de que maçã e banana-maçã são obstipantes, enquanto pêra, mamão e ameixa são laxantes.

 

Essa é uma técnica de educar o paladar da criança sem sobrecarregá-la com estímulos. Tem mais perguntas ou dúvidas? Envia pra gente =)


Dra Adriana Silva
Pedriatra
Crescer Consultórios

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