O impacto causado pelas Hepatites Virais nas populações e sistemas de saúde pelo mundo é grande. Estima-se pelo menos 400 milhões de pessoas infectadas cronicamente pelos vírus das Hepatites B e C mundialmente, além de 1,4 milhão de pessoas infectadas anualmente pelo vírus da Hepatite A. As hepatites virais crônicas, inicialmente silenciosas, demoram vários anos para desenvolver complicações. Acredita-se que 57% dos casos de cirrose hepática e 78% dos casos de câncer hepático estão diretamente relacionados aos vírus de hepatite B e C. Por fim é estimado 1,5 milhão de mortes relacionadas às hepatites virais.

Durante muito tempo as Hepatites Virais foram negligenciadas, no entanto a partir de iniciativa e propostas brasileiras, a Organização Mundial de Saúde (OMS), durante 63ª Assembleia Mundial da Saúde realizada em maio de 2010, reconheceu as Hepatites Virais como um tópico de grande relevância para a saúde pública mundial e instituiu a data de 28 de Julho como o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais. Desde então, o Ministério da Saúde, por meio do seu Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde, vem cumprindo uma série de metas e ações integradas de prevenção e controle nos níveis de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) para o enfrentamento das hepatites virais no Brasil. Dados do próprio Ministério estimam pelo menos 2 milhões de pessoas cronicamente infectadas pelo vírus da hepatite C somente, que em sua maioria desconhecem seu situação sorológica (fonte).

A celebração do Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais tem por objetivo atrair atenção para o tema, incentivando o diálogo entra os vários atores no campo da saúde pública. A criação de novas políticas públicas ou a consolidação das já existentes implicará diretamente não só em um aumento da conscientização da população sobre o tema, mas também à garantia do acesso universal ao tratamento e prevenção dessas doenças. 

Hepatite A
A transmissão da Hepatite A se dá principalmente através da ingestão de alimento ou água contaminada com o Vírus. Assim, mantém direta relação com baixa qualidade da água ingerida, condições sanitárias precárias e práticas de higiene pessoal. O vírus da Hepatite A causa uma infecção aguda, que na maioria das vezes o organismo consegue resolver sem a necessidade de nenhum tratamento específico. Está disponível no SUS a vacina contra Hepatite A, porém está indicada somente em casos selecionados como paciente que já possuem algum tipo de doença hepática ou algum quadro de imunossupressão. 

Hepatites B e C
As Hepatites B e C são doenças crônicas que geralmente não apresentam sintomas numa fase inicial. Pode demorar anos para o surgimento de sintomas, e quando surgem a doença já se encontra em fase avançada como cirrose ou câncer hepáticos.

Realizar o diagnóstico precoce das hepatites é um dos principais determinantes para evitar a transmissão e progressão da doença e suas consequências. Os testes para diagnóstico das Hepatites estão disponíveis em toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS). 


Apesar de todos estarem vulneráveis à contrair Hepatites Virais, algumas populações apresentam uma exposição maior e um risco aumentado em relação à população geral: 

• Pessoas com doenças sexualmente transmissíveis (DST); 
• Militares, Policiais e Profissionais do sistema carcerário;
• Coletores de lixo hospitalar e domiciliar; 
• Comunicantes sexuais de portadores de hepatite B e C; 
• Doadores de sangue; 
• Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais; 
• Pessoas institucionalizadas;
• Manicures, pedicures e podólogos; 
• Populações de assentamentos e acampamentos; 
• Populações indígenas; 
• Receptores de transfusão de sangue (principalmente previas à 1992);
• Profissionais do sexo; 
• Usuários de drogas ilícitas 
• Caminhoneiros.

Campanhas de conscientização e testagem vêm acontecendo tendo esses grupos como alvos. Além destes, gestantes também devem ser testadas no intuito de impedir a transmissão vertical, principalmente da Hepatite B.


Prevenção
Existem várias medidas que podem evitar a transmissão das hepatites virais: 

• Usar preservativo em todas as relações sexuais; 
• Exigir materiais esterilizados ou descartáveis em estúdios de tatuagem e de piercings; 
• Não compartilhar instrumentos de manicure e pedicure; 
• Não usar lâminas de barbear ou de depilar de outras pessoas; 
• Não compartilhar agulhas, seringas e equipamentos para drogas inaladas.


Vacinação 

Não existe ainda vacina contra a Hepatite C, sendo as medidas acima as únicas medidas comprovadas de prevenção. 

A vacina contra a hepatite B deve ser recomendada para todas as pessoas até 49 anos de idade e para as populações vulneráveis (em especial, profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas) e para profissionais e estudantes de saúde independente da idade.

Fonte: OMS Brasil

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